E surge Previously on LOST!

Apresento o primeiro texto escrito no blog Previously on LOST, lá no ano de 2009

Era janeiro de 2009. Lost já vinha sendo transmitido há quatro anos, e pouco faltava para o início da sua quinta temporada, de um total de seis.

Pois é… Não estava longe do final.

Mas deixa eu voltar um pouquinho mais no tempo, para março de 2008, quando a quarta temporada ainda estava no ar.

Ocorre que conheci a série quando ela já estava adiantada. Na época, sem streamings e com transmissão nacional bastante precária, a solução era procurar e baixar. Eu, envolvido com o trabalho, demorei a dar atenção às chamadas, que já apareciam há um bom tempo mesmo na Rede Globo.

Até que decidi começar. Assistir ao primeiro episódio pra ver o que aquela série era e seria.

Pronto! Não conseguia mais parar. Maratonava a primeira temporada enquanto os sites e blogs distribuíam uma quantidade sem precedentes de artigos e mistérios que vinham da série. Entusiasmado, mergulhando nos pensamentos sobre cada uma daquelas perguntas deixadas no ar e na profundidade de cada um dos eternos personagens.

Acessava blogs e fóruns de discussão, fugindo de spoilers como os losties (como eram carinhosamente chamados os personagens perdidos na ilha) fugiam de tanta coisa naquela floresta, procurando meus pares, pessoas tão aficionadas quanto eu.

Eis que encontrei dois blogs que se destacavam dos demais (pelo menos pra mim): o Lost in Lost (de Carlos Alexandre Monteiro, o CA, que ainda tem um perfil no X pouco ativo e o Podcast Leve Desespero) e o Dude, We Are Lost (de Davi Garcia e Juliana Ramanzini, ainda ativo com conteúdos gerais sobre TV e cinema e uma aba eventual dedicada a Lost). Eram tempos em que tudo se escrevia, sem vídeos e no máximo com um podcast ao estilo original, somente em áudio, que ambos produziam. Como grande parte de tudo sobre Lost, os assuntos relacionados à série foram descontinuados com o fim da série.

Assistia a um episódio e corria até cada um deles (e outros também) para enriquecer a experiência, para descobrir mais, para ver o que as pessoas estavam falando, saber as teorias. Cada post era um portal, e os comentários eram uma experiência à parte. Ali, estavam as teorias dos anônimos, dos que não blogavam, e era algo muito rico em informação sobre a série. O mesmo valia para os fóruns.

Naturalmente, eu também deixava minhas impressões e teorias, e me considerava bastante astuto no processo de fazer conjecturas, de encontrar possibilidades e respostas que outros não conseguiam.

Até que, um dia, escrevi uma teoria que não circulava em lugar algum da rede, sobre determinado episódio que gerou um enorme frenesi (vou lembrar você disso quando ela for compartilhada neste novo blog). A essa altura, eu já tinha alcançado os episódios da série, a quarta temporada já havia finalizado, e estávamos no intervalo entre ela e a quinta. A série tinha tamanho impacto que, mesmo nesse intervalo entre temporadas, não se passava um único dia sem que os blogs e fóruns fossem tremendamente movimentados.

A teoria que apresentei era formulada com tamanha minúcia, que não caberia em um comentário de blog. Então, criei uma página simples em um domínio que tinha na internet, detalhei ali toda a teoria, e comecei a compartilhar o link nos comentários e fóruns. As pessoas que acessavam iam à loucura, chamavam pelos autores dos blogs, repassavam o link… Porém, os autores não se manifestavam.

Em um belo dia, pasmem, um deles apresentou aquela teoria como se fosse dele. Assim, na cara dura!

Naturalmente, fiquei p#$@. Não me conformava. E foi aí que decidi iniciar meu próprio blog, que, diferentemente dos demais, apresentaria conjecturas muito bem embasadas e articuladas, coisa que ainda não existia. Não naquele nível.

Programador que sou, desenvolvi o blog do total zero (nada de WordPress ou Blogger) e algum tempo depois, ele estava no ar. Na época, não existia tanto controle sobre a forma de publicar e divulgar por parte do Google ou de outras plataformas. Eu deixava o link em todo canto, como se fosse alguém comentando e indicando. A audiência foi vindo e foi permanecendo, até que Previously on LOST já era o terceiro blog mais citado do Brasil sobre a série.

Assim, nasceu uma aventura que, agora, volta para trazer nostalgia e um pouquinho daquela experiência mágica.

E a seguir, o primeiro texto escrito no blog, com um entusiasmo que transbordava, e iniciando uma jornada que traria muita coisa legal… Para mim e para quem mais embarcasse.

Com uma pegada textual bem típica daqueles tempos, o título era:

Previously on LOST: um site repleto de conjecturas sobre a série mais comentada do momento

Estamos há alguns dias do início da quinta temporada de LOST, e os mistérios que giram em torno da trama estão fritando cada vez mais os miolos dos lostmaníacos (sim, esse termo era usado na época). É teoria atrás de teoria. Ideias e suposições viajando o mundo em busca de cada uma das tão ansiadas respostas.

Os produtores são sabatinados com perguntas estratégicas, às quais respondem conforme a conveniência; pessoas de todas as partes esmiúçam cada capítulo em busca de uma pista, desde os misteriosos sussurros até simples objetos de cena; fãs muito dispostos vão até os sets de filmagem e se fazem verdadeiros paparazzis em busca de imagens e fatos que deem uma pequena dica que seja; e sem contar os inúmeros documentos e spoilers que, a cada vez que surgem, concentram a atenção de curiosos ao redor do planeta.

Mas estava faltando alguma coisa…

Enquanto todos ficam afoitos por novas partes do grande quebra-cabeça que é LOST, tentando buscar soluções para suas dúvidas nas informações que vão surgindo e debatendo inúmeras teorias formuladas a cada linha acrescentada à saga, pontos importantes vão ficando para trás, caindo no esquecimento.

Desde os primeiros capítulos da primeira temporada, os produtores e toda sua equipe foram deixando indícios, argumentos sutis que passam por triviais ou que não recebem o destaque necessário para deixar clara sua importância. A intenção de séries de mistério é esta, não é? Ir deixando pistas para que a curiosidade do espectador vá às alturas, mas sem correr o risco de revelar o grande segredo final.

A pressa é inimiga da perfeição

Acontece que estão todos a tentar fazer análises de cada capítulo, a espreitar por novidades, a buscar informações científicas que possam explicar alguma coisa.

Já vimos teorias em que a Terra é oca, em que a ilha seria o continente perdido de Atlântida, entre muitas outras. Acontece que sempre estão a tentar criar conjecturas tomando por base fatos isolados, e não a série como um todo.

E surge Previously on LOST!

É aqui que entramos!

Para chegar a soluções realmente sólidas, é preciso encontrar a ligação entre as pontas de barbante deixadas ao longo de toda a série. Analisar fatos em conjunto, criar paralelos entre capítulos, calcular, investigar, projetar os acontecimentos no futuro, enxergar uma segunda opção onde a situação parece óbvia…

Esta é nossa missão! Estamos aqui para reunir informações e encontrar conjecturas. O que apresentamos pode não estar correto, no fim das contas, mas não é somente teoria, é o resultado de estudos e apreciações realizados com minúcia. O passo além que estava faltando nas buscas pelos mistérios de LOST.

Esperamos alcançar o instinto investigativo de cada leitor, e que todos nos digam, após cada postagem, sua opinião. Estas opiniões, assim como as sugestões, informações e críticas, serão muito bem-vindas.

Este espaço é seu. Sinta-se à vontade para ir até onde nenhum lostie já foi!!!